20 de out. de 2010

R.E#4

Bem, nem sei o que dizer.
Essa segunda carta foi desnecessária, não sei qual foi a sua intenção com ela, mas tento ver que tenha sido uma falha na nossa comunicação na/e troca de cartas, que só havia começado.
E infelizmente ela me fez ressurgir muitas coisas que achei que estavam enterradas, quanto toda àquela história acho que nem devemos entrar neste assunto, mas acho que será meio inevitável.
Não quero tuas desculpas, acho que nunca quis, elas nunca supririam nada do que aconteceu, só me fariam te achar mais ridículo do que achei na época e as vezes ainda acho ao lembrar de tudo aquilo. Aquele texto me deu nojo, você não tinha direito algum de escrever tudo aquilo, mesmo que não tenha sido a sua intenção, o que tentaram me explicar depois.

Mas lembrar tudo aquilo me trás uma sensação muito esquisita, algo paradoxal, o que você fez nunca terá perdão, mas as vezes me sinto meio culpada por tudo ter chegado ao ponto que chegou, na época toda a culpa e asco que sentia foi derrubada por aquele texto, que me gerou um impulso de ódio e repulsa por você.
Hoje aquilo ainda me dói, de diversas maneiras, não sei explicar, e se soubesse também não o explicaria, muito menos pra você. Toda aquela confiança e acalanto que havia por você foi destruído, você se aproveitou de algo que não lhe pertencia.

E é isso que não tem perdão, e isso que é o mais engraçado, eu ainda confio em você, de um modo estranho eu sinto isso, mas em certos quesitos isso tudo cai sem perdão.

E nesses momentos esse turbilhão de lembranças e sentimentos voltam de uma maneira que eu jamais saberei exteriorizar, não consigo ver como as coisas poderiam ter sido diferente, acho que ambos pecamos amargamente um com o outro. Não quero lhe atribuir toda a culpa, estaria sendo injusta tanto com você quanto comigo.

Entretanto acho melhor esquecermos isso, e tentar recomeçar de um modo diferente, ainda mais agora com essa distância, que é a única maneira que acho que poderíamos nos relacionar de uma maneira saudável ou quase.


Não sei se você me responderá, beijos.
15 de março de 2012.

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