5 de out. de 2010

R.E#2

Essa pode ser a segunda e última correspondência que lhe mando, não sei quanto tempo demorará para que minhas cartas cheguem, como também não sei se você recebeu a anterior, espero que sim, não sei quanto tempo levará para que a resposta chegue, mas compreendo também que você tem todo o direito de não respondê-la, e se for esse o caso pelo menos me dê algum tipo de sinal, senão ficarei com a dúvida eterna se a primeira chegou em suas mãos ou não.

Mas como já faz um tempo que a mandei resolvi enviar esta, sei que você tem diversos motivos para não me responder, as coisas se desenrolaram de maneira estranha e rápida demais, e não acredito que era pra ter sido como foi, mas aceito também as conseqüências, como uma amiga nossa disse uma vez, todo ato é passível de conseqüência, só não esperava que fossem tão dolorosas assim.

A minha intenção nunca foi aquela, mas infelizmente foi o que pareceu, não estou aqui para me desculpar, não mesmo, aquilo tudo ainda me corrói, mas não acho que desculpas sejam necessárias, a minha intenção era escrever um texto com algumas idéias que eu achava fortes e belas, apesar de tristes, e usar aquele contexto da senhora em coma como plano de fundo para abordar aquelas idéias.

Infelizmente saiu como saiu e num momento inoportuno lhe enviei, me entristece saber que posso ter te magoado e por isso contive-me diversas vezes em lhe escrever uma linha que fosse.

E até hoje isso me atormenta de alguma maneira, não só por esse ocorrido, mas por tudo, acho que nunca entenderei, assim como você dizia que eu jamais a entenderia, o mais difícil é suprir a saudade que me toma de repente algumas vezes, e me enche de melancolia e amargura, essa saudade me trás lembranças que me fazem retrair tudo que aconteceu entre nós.

Acho que devo largar esse assunto onde ele morreu, quase dois anos atrás, só gostaria que me enviasse algum sinal, você sabe como sou ansioso e corrosivo, isso eu não consegui mudar.

Londres
Sexta-feira,17 de Fevereiro de 2012.

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