Acendo um cigarro ao fundo rola um bom T.rex, estou desesperado.
Dezoito anos, ainda sento sozinho nas aulas de comunicação. São todos tão estupidamente felizes que estragam todos os discursos da professora, como se fossem crianças primarias. Meus antigos amigos já seguiram seus rumos e eu a procura de um emprego que pague 10 reais o dia desgastante de 12 horas amargas. É o fim de mais um fim de semana agradável, dois dias sentados à frente de um computador amarelado pelo tempo com intervalo para as refeições.
Arroz, feijão descongelado de dias e uma fritura velha. Sem esquecer as pausas pra cagar aquela comida de sexta. Na ausência de companhia vejo uma pornografia porca e barata. Que diga-se de passagem: não é nada ruim. Pois quem não se delicia ao ver bocetas cabeludas, atores inexpressivos, grávidas sendo enrabadas e aquelas clássicas cenas finais com porra voando pra todo lado.
O telefone toca, para o bem ou para o mal. Corro através do corredor com o pau de fora.No quarto toque atendo:
-Alô?
-Tom? Sou eu... a Francine.
Ela me ligando uma hora dessas, confesso que fiquei de cacete duro só de pensar que a noite estaria salva. Apenas me imaginava enrabando aquela bundinha.
-Ah, Oi meu amor.
-Então Tom... precisava conversar algo sério com você...
Caralho, sussurrei comigo do que se trata.
- Tudo bem, pode falar.
-Acho que nossa relação está um pouco estranha e estou muito confusa quanto a nós dois.
-Bom, eu confesso que fui fraca e te trai. Mas de qualquer modo as coisas não eram como antes. Você só quer sexo, sexo e sexo. Meus pais vivem dizendo que vou acabar engravidando de um vagabundo como você... o melhor é terminarmos por aqui mesmo.
-Como assim? Pensava que a gente se dava tão bem.
-Você diz isso só porque transavamos sempre. Mas não é só isso que eu quero, e além de tudo você transa mal. E odeio ter que ficar chupando o pau torto de um primata que nem você.
- Sua vadia, espero que morra engasgada com um caralho bem grosso na boca.
-E pode ter certeza que o Rodrigo tem um pinto bem mais grosso e melhor do que o teu. Seu perdedor.- Desligando o telefone na minha cara.
E o pior que eu amava aquela puta.
4 comentários:
Gui, muito bom, gostei!
nesse texto, nota-se bem que você lê bukowski. muito bom, gui
As vezes, apenas a verdade, se torna muito mais interessante que a ficção, rs.
kkkkkk muito bom!
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