Em casa, horas de tédio embaladas por músicas que tentassem facilitar o processo, e depois algumas horas lendo, não gostava muito de ler, mas um dia li um livro que um amigo mais velho me emprestou, isso quando eu tinha uns dezesseis anos, e passei a ter gosto pela leitura, acho que só fui apresentado a ela de uma maneira bem ruim na escola. Aliás esse é um dos meus livros favoritos até hoje, bem que poderiam ler-lo a pedido da escola, ao invés daqueles livros antigos demais, que nada têm a ver com nosso cotidiano, além de serem um pouco maçantes. Quanto à música, sempre gostei, mas nunca fui muito de comprar CDs, gosto do elemento surpresa de escutar rádios, as vezes acontece de tocar aquelas músicas que eu tava pensando e de repente é ela que começa, ou até mesmo aquelas que a gente gosta mas nem lembra ou sabe o nome, ai toca e te deixa feliz, além disso é bom pra conhecer bandas novas. Ah... além dos CDs serem caros, o que é uma pena.
Fora da escola a vida era meio parada, afinal eu já estava com uma idade em que meus amigos começaram a trabalhar então eu não tinha o que fazer após as aulas, o que me levava mais uma vez a me ocupar com as coisas citadas acima, sem me esquecer do vídeo game, o melhor amigo dos solitários da nova geração. Então vou pular mais uma vez, pois acredito que o resto do meu dia não seja interessante.
No dia seguinte mais uma vez voltei à escola, um saco, as aulas são chatas, com exceção de algumas, mas meus professores são muito chatos, pelo menos boa parte deles. Estão sempre estressados, cansados ou algo do gênero, esses mal comidos de merda!E só conseguem porrinhar todos na classe, também, eles devem ganhar super mal, um dos meus únicos professores que presta está sempre com as roupas fudidas, mas mesmo assim ele é super descolado, mas deve se sentir desmotivado, não sei, deve ser foda trabalhar o dia todo pra ganhar um salário insuficiente pra suprir suas vontades. E o pior que assim eles nem conseguem ensinar nada, se isso melhorasse talvez eu gostasse da escola, ou melhor, eu gosto da escola, só não gosto de ver as aulas. Mas a minha turma também e repleta de cuzões, não respeitam nem as aulas dos professores legais. Poderiam simplesmente fazer como eu, se não gostam da aula, saiam delas, acho que é melhor do que atrapalhar o trabalho do fudido do professor que fica lá na frente horas tentando explicar aos berros o que causou a porra da primeira guerra, o único problema é que se nos pegam cabulando a gente entra numa fria danada. Mas vamos fazer o que? Eu saio da sala mesmo, não tenho saco de ficar assistindo aulas chatas, se pelo menos tivéssemos a liberdade de escolher apenas as matérias que gostaríamos, ao invés de ficarmos perdendo tempo em aulas inúteis. Acho que devia ter sugerido isso pros meus professores, sem ofendê-los é claro. Assisti a todas as aulas, uma proeza. Mais uma vez ao término do período, voltei pra minha vidinha pacata. E após o almoço, a vale lembrar, eu estudava de manhã, chegava a casa mais ou menos no horário do almoço, meu tio dizia que as escolas deviam voltar a ser integrais, acho uma grande besteira, se cinco horas podia já me dão no saco, imagina quase dez. Ele dizia que eu passava muito tempo sem fazer nada e que poderia usar esse tempo pra algo produtivo como ele fazia na sua mocidade, vai ver é por isso que hora ele é tão rabugento. Ficava horas e horas estudando aquelas bobeiras da escola, apesar de que eu me sinto entediado as vezes em casa, até toparia ficar mais tempo na escola, mas só se rolassem umas matérias diferentes, sei lá, poderíamos ter aulas de música, de desenho, tenho uns amigos que desenham muito e eu acho super interessante, gostaria de saber desenhar, a, esses tipos de coisas. Ou até mesmo futebol, e os outros esportes que o pessoal joga. Se o “nariga” cabula só pra jogar, talvez ele ficasse até mais tarde na escola só pra jogar. Acho que os outros caras também. As vezes rolava de fazer algo durante o período da tarde, algumas vezes até dar umas voltas com alguma menina da escola, e isso era legal, mesmo boa parte delas serem ou caretas e cheias de não me toque, ou então serem vulgares demais, eu gosto muito das garotas, gosto mesmo, mas elas não precisam ser vulgares e não estou sendo nem um pouco antiquadro, e olha que sou tarado por peitos. O lance é que algumas delas chegam a ser pior que homens, e é verdade. Não que elas estejam erradas, seria machismo meu aceitar que um homem possa ser vulgar e uma mulher não, eu só acho desnecessário e digo isso de ambos os sexos. Suas safadonas!
Mais uns dias de aulas, tardes entediantes, surpresas musicais na rádio e um pouco de leitura pra passar o tempo, o engraçado que eu nunca gostei de poesias, mas um dia desses encontrei umas poesias eróticas num livro do meu tio, isso ele esconde de mim aquele puto. E o mais engraçado que apesar de falarem de sexo elas são super bonitas, no fundo todo mundo gosta de sexo, só não sei de qual não é tio?
Outro dia de aulas, acordei meio atrasado, acho que vou ter que pular o muro pra entrar, outro dia, cheguei um pouco atrasado e o portão já estava fechado, mas eu não podia voltar pra casa se não minha família me exorcizaria, eles não deixam a gente entrar, não sabia o que fazer e não estava nem um pouco afim de pular o muro, por que a policia pegou um amigo meu pulando o muro uma vez e interpretou a situação de maneira errada, até ele conseguir se explicar foi uma confusão do caralho, o pai dele só faltou comer o rabo dele de tão nervoso que ficou. Além do mais o que eu ficaria fazendo na rua, esses putos das escolas só fazem regras pra afastar os alunos da escola, até o dia que ao invés da policia algum pirralho encontra com um cara doidão por ai e se fode. Ai eu quero ver como vai ficar. Enfim, tive que pular o muro, quase fui pego, me caguei todinho, mas deu tudo certo, o único problema foi pra entrar na sala, só consegui entrar pra segunda aula, entretanto o nariga respondeu chamada no meu lugar, quem nunca fez isso né. Mais uma vez aproveitei a zona que é a troca de aulas pra me aconchegar, vocês devem pensar que sou um verdadeiro vadio, mas não sou. Juro! Só sou um pouco preguiçoso, não sou daqueles que bagunçam e fodem com a sala toda, nunca fui. E esses caras que bagunçam normalmente não respeitam ninguém, nem mesmo os professores, mas quem afinal respeita? Acho que nem os adultos. E esse folgados me tiram um pouco do sério as vezes, geralmente eles são ou maiores ou mais forte do que a maioria dos alunos, ou então simplesmente são mais perturbados, e acabam criando uma classe da hierarquia escolar que eu chamaria de “milícia dos repetentes”, porque muitas vezes eles têm mais autoridade na sala do que os professores, só que a conseguem através de uma opressão violenta contra os bobinhos e medrosos da sala. E é verdade gente, não estou mentindo, eles conseguem mandar e desmandar na sala de aula, mas normalmente esses são os que nunca terminam os estudos, o que é uma pena, talvez eles pudessem aproveitar esse tipo de característica em empresas ou em empregos que exijam peitudões, apesar de que alguns deles conseguem um emprego de curta duração, até perceberem que eram durões demais pra escola, mas bundões demais pro mundo e saem disso quando podem, se conseguirem é claro, só que eles teriam que aprender a ser menos ogros. Mais uma vez as aulas se passaram devagar com exceção de uma, e por alegria do meu reino um professor não havia dado sinais de vida e então tivemos a última aula vaga. E fomos todos para as quadras. Dessa vez não precisei sentar no meu cantinho estratégico, me sentei ao sol e dei uma relaxada. O sol das manhãs de outono são os meus preferidos, eles não te esquentam ao ponto de derreter em suor, ele só te aquece confortavelmente daquele leve friozinho e chega até a dar uma moleza. Encostei minha cabeça na grade da quadra e fiquei lá por um tempo, simplesmente apenas curtindo o sol. De repente senti alguém cutucar meu braço, preguiçosamente virei a cabeça em direção a seja lá quem for que me cutucava, esperava não ser nenhum dos carinhas da milícia.
_ Cabulando de novo?
_ Ah... oi.. não, hoje não.
_ E tá fazendo o que aqui? A quadra é da minha sala essa aula.
_ É que um professor faltou, e como não podemos ir embora.
_ Entendi, e você não curte jogar não é?
_ Curtir eu curto, mas sou ruim pra caramba, e eles são muito competitivos não me deixariam entrar por nada, só se tiver faltando alguém, mas nem faço questão.
_ Eu também, nem gosto, e outra, os meninos nunca deixam as meninas jogar direito. Nem ligo, prefiro ficar aqui ouvindo música.
_ É, e o sol tá super gostoso, dá até pra dormir aqui.
_ Não gosto muito do sol, me dá moleza, mas o de hoje tá gostozinho, não tá muito quente sabe?
_ É, eu gosto dele assim também. – Tirei meu maço de cigarros da mochila e lhe estendi.
_ Quer um cancerzinho ai?
_ Haha, sempre, desde que não seja o com a criança no vidro eu aceito.
_ Porra! Dei azar, é o da impotência.
_ Serve!
_ Calma ai que hoje eu tenho isqueiro!
Ela levantou repentinamente num pulo, e ficou frente a frente comigo.
_ Não, o meu é muito mais legal! Deixa eu te mostrar, ele tem uns desenhos de elefantes.
_ haha, quero ver então.
E retirou da bolsa um isqueiro cinza, com umas unhas de elefantes desenhados na parte inferior e dois olhos graciosos entre duas orelhas que sumiam no cilindro do isqueiro. Acendeu seu cigarro e gentilmente me ofereceu o fogo. E sorridente sentou-se novamente, ficamos olhando o jogo por um tempo, até que ela me perguntou:
_ Nunca mais te vi por aqui, parou de cabular?
_ Não, é que a gente não se encontra por aqui né.
_ Verdade.
E mais uma vez nos viramos pro jogo, enquanto víamos o jogo resolvi ligar meus fones de ouvido pra escutar algo até que pudesse ir embora.
_ O que cê tá ouvindo ?
_ Ah não sei ainda, não conheço essa música, quer escutar?
_ Ah, claro, adoro ouvir música, vamos ver se você tem um bom gosto.
_ Mas estou escutando rádio.
_Tudo bem.
Então lhe passei um dos fones.
_ Não, do outro lado, esquerdo.
_ Tem isso é?
_ É que são anatômicos, manja? Pra não ficarem caindo toda hora, mas tem que colocar na orelha certa.
_ Entendi, sou muito burra.
Escutamos algumas músicas em silêncio, até que começou uma parecia familiar.
_ Nossa cara, eu adoro essa música!
_ Nossa, eu também curto!
_ Essa banda é bem boa, pena que os caras não fazem mais coisas boas.
_ Verdade. Uma merda!
_ Achei que eles iam estourar, mas eles mudaram e ficou uma merda!
_ Então bicho, antes eles tinham uma coisa mais enérgica, não tão trabalhada, a pegada deles era um rock and roll mais simples, e isso que era bom neles, essa coisa crua, ai eles entram nessa de evoluir musicalmente, fazer umas músicas mais elaboradas, eu até acho bacana, eles têm que evoluir mesmo, mas eles não foram bem sucedidos nisso. Simplesmente tiraram a única coisa que tinha de bom neles, que era aquela pegada simples.
_ A cara, não é só isso, eles são bons vai, só mudaram um pouco o estilo. Vocês faz os caras parecerem umas criançõnas!
_ Ah nem vem vai!
_ Ah,essa chata é pra caralho! Vou aproveitar a deixa e vou comprar alguma coisa pra comer.
_ Vou com você.
_ Demorou, vamos lá.
Peguei minhas coisas e caminhamos em direção à cantina, atrás de uma pilastra o safadinho do outro dia se enroscava com outra menina. Ela apontou pro casal do animal planet e disse:
_ Falei.
_ Verdade!
_ E essa não é nem a que eu tinha visto, já é uma terceira!
_ Por falar nisso, e você? Sra feminista?
_ Eu?... próximo assunto.
_ Porque? Namora?
_ Não, e nem quero, odeio relacionamentos. E próximo assunto.
_ Isso parece coisa de armozinho não correspondido.
_ Pior que nem é.
_É, e por que o ódio?
_ É porque é uma coisa que eu não entendo, ou estrago tudo ou estragam tudo. Odeio, pronto! E você?
_ Eu, sei lá viu, eu acho meio parecido com um jogo, mas é complicado, sempre tenho uns casos bem estranhos.
Então chegamos à cantina. Ela procurou infantilmente aquilo que mais lhe agradasse e pediu um pão de queijo meio envelhecido que estava na estufa de vidro e pediu um refrigerante. E eu pedi um refrigerante de laranja e um chocolate. Quando estávamos quase saindo, ela voltou-se para a atendente e pediu alguns chicletes. Foi atendida e retornamos para as quadras.
_ Adoro refrigerante de laranja.
_ Também gostos, odeio os de uva, são mais doces e parecem ter menos gás, têm gosto de pasta de dente.
_ É por isso que eu não gosto tanto, são muito doces, enjoam sei lá, e eu gosto de refrigerante com muito gás, daqueles que deixam os olhos vermelhos.
_ Credo... que zuado cara.
_ Lembra daqueles refrigerantes que lançaram uma vez, de morango, maçã... tinham mais sabores, mas não lembro.
_ Lembro sim, eu adorava o de morango. Odeio essas coisas gostosas que param de vender.
_ É, também acho ruim, mas acho que são produtos novos que não dão muito certo no mercado ai eles tiram.
_É, edições limitadas.
_ Isso é desculpa deles, vai ver é tipo um teste, tipo um piloto pra ver se o produto vai funcionar.
_ Tipo aquele chocolate de laranja.HAHA.
_ Haha, mas era gostoso vai.
_ É, era gosto, mas os normais são melhores.
_ Eu gostava do refrigerante de maçã, mesmo ele tendo aquela cor de água suja.
_ Verdade.
...
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