3 de set. de 2010

L.A

De repente você acorda, com uma ansiedade vazia que te empurra pra vida tirando-lhe o sono. As paredes do quarto parecem mais próximas, muito mais. Sente-se, as paredes do quarto já lhe roubaram a cabeceira da cama, você senta, folheia algum livro, e nesse momento qualquer verso vai se adaptar ao seu desespero recém nascido. Inquieta você joga seus pés para fora da cama, calça seus chinelos para não sentir a frieza do mundo e melancolicamente avança até a cozinha, toma um longo gole de água em busca de vitalidade ou algo parecido. E despercebida passa pelos cômodos sonolentos da casa, não há necessidades de acender as luzes, você já conhece tudo, sabe como as coisas funcionam, mas mesmo assim as acende. E mais uma vez deita na cama de seus pais, costumava ser tão bom. Quentinha e confortante, mas não é mais tão aconchegante. Ela agora parece tão vazia, eles não estão mais lá. E de repente um medo infantil te atinge, de tudo, foi isso o que lhe sobrou, dorme pobre criança a infância acabou.

2 comentários:

Cezar Berger Junior disse...

Porra Gui, que texto fodido de bom! Parabéns cara!

Bruna disse...

de todos que li, até agora, meu preferido! muito bom, gui, adoreiii