Ó querido diário, nasce a primeira palavra do que virá a ser futuramente um recorte do presente passado.
Apesar do horário faz um calor insuportável, Benjamin Franklin foi realmente um gênio incompreendido com toda essa história de horário de verão.
Devem ter o humilhado com toda aquela caralhada sobre isso poderia mudar o horário biológico das pessoas Sr.Franklin e afetar a saúde de todos, como se todos não perdessem dias e dias em noitadas intermináveis que desregulam até a porra de relógio biológico de deus.
Ontem comecei a ler aquele livro, estou um pouco ansiosa, não deveria ter visto o filme antes de ler o livro, mas se não fosse o filme eu continuaria com aquele receio meio preconceituoso sobre a história.
A ênfase encenada que Ana faz sobre a obra me fez criar algumas barreiras, é um filme pesado, me trouxe várias questões existenciais ela disse certa vez, claro que com muito mais entusiasmo e floreios. Como é mesmo aquela palavra difícil que ela sempre acaba colocando nas frases?
Ela faz o mesmo quando o assunto é aquela escritora que ela gosta muito, e que me fez demorar séculos para finalmente a ler de tão puta que eu ficava com aquela lambeção e foi o mesmo com a banda daquele cara feio pra caralho!
Ela nega, mas no fundo de uma maneira bem esquisita ela venera tudo aquilo que ela tenta converse-se de não ter nada a ver com o Fredo.
Hoje não houve aula, a greve continua apesar de uns reacionários. Estamos encaminhando para a terceira semana de paralisação, a principio não tinha me posicionado ainda, mas procurei me informar, sabe, para não dar uma de pelega fura greve, acho que é redundante dizer fura greve após o pelega.
E pra falar a verdade ainda estou bem perdida sobre essa paralisação, sou a favor das reivindicações, mas ainda vejo um bando de pessoas levando isso como uma aventura juvenil tentando imitar os militantes da época da ditadura.
Acho que muitos deles se lessem isso diriam, pelega,pelega,pelega!
E depois me excluiriam de todas as rodas de bar, não ligo, ultimamente estava me sentido meio deslocada mesmo. Acho que não faria tanta diferença, pelo menos não me sentiria um fantoche fazendo parte de uma massa de manobra.
Mas veja bem diário, em momento nenhum fui contra a greve, mas enquanto eles vão a passeatas apanhar dos estúpidos policiais eu preciso trabalhar, se eu apanhasse em um desses manifestos não teria nem dinheiro para os curativos e o hospital publico é uma merda, só seria atendida depois de morta.
Enquanto eles iriam à um médico geral do convenio deles na zona sul.
Ai, é tão complicado!
Me sinto tão impotente diante disso, sinceramente espero que tenhamos resultado e gostaria de ser mais ativa, mas todo esse blábláblá me cansa. As vezes penso que deveriamos sair à luta armada, mas sou tão contra violência, mas infelizmente as coisas nunca funciona de forma pacifica.
A gente vai, levanta bandeira e apanhamos feito lebrosos, batem em até nós mulheres, ai criticamos a força bruta e bláblá com nossos discursos humanitários( ou humanistas, qual a diferença? humanitários me soa como algum tipo de doença, melhor usar humanistas)humanistas que entram e saem sem nem arranhar as orelhas daqueles cães filhos da puta!
E nunca reagimos para defender nossos ideais e acabamos não defendendo os outros.
Se somos violentos nos marginalizam de desordeiros e ai eles tem mais uma desculpa pra nos dar mais porrada e no final continua tudo a mesma merda!
E se eu resolvo não me envolver fico despatriada, nem cá nem lá, nem direita nem esquerda, no meio, bem no meio de um poço cheio de bosta.
Gostaria de resumir todo o contexto da greve, mas me ocuparia muito tempo e preciso arrumar a casa e finalizar algumas coisas do trabalho, mas no decorrer dos dias irei pontuando um pouco do processo.
Talvez assista um filme ou então vou ler mais um pouco daquele livro.
Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010. 19:43
Nenhum comentário:
Postar um comentário