18 de jan. de 2011

Quase não existe.

Abri os olhos e a claridade invadiu meu cérebro através de diversos impulsos elétricos que eu nem tinha noção de existir, não até pouco tempo. Não era necessariamente dia, aliás, era, assim como ontem e como amanha também o será. Mas o céu não estava de todo claro ainda, as noites também são dias elas são separadas por intervalos diurnos, ou ao contrario.

Ou melhor o dia é infinito que vive se alternando entre dia e noite, como o humor de uma mulher histérica, desculpem minha repetição e a falta de lógica desse assunto, é que aos seres humanos é necessária uma colocação cronológica, principalmente em vocês que estão para presenciar de maneira onipresente a história que irei contar. Mas se o dia for como penso, não, não penso exatamente assim, só há a possível probabilidade de que eu esteja certo e que os dias não passem de extensões de um dia primário, sendo assim posso considerar que minha história possa ter começado em algum momento perdido e esquecido da pré-história como também ter nascido agora. Assim, Ploft!

Do nada eu surgi e aqui vos falo, como mágica divina. Não me perguntem como sei explicar o que sei, se acabo de nascer. Mas é que as coisas já existem, as palavras só as fazem de uma maneira, reais e compreensíveis. Porém tenho que conter-me um pouco, porque, porque há os céticos, e para eles como mágica divina simplesmente não existe mágica divina, portanto para eles eu não existo e meu relato terminaria por aqui. Os místicos que me desculpem por toda a enrolação, se quiserem podem ir para o próximo capitulo que seria a extensão deste ou nos acompanhem nisso tudo, é que gosto dos céticos e tentarei cientificar tudo isso a principio para que eles não nos abandonem também, como vêem é difícil ser democrático.

Como começar ou continuar. Tudo na verdade deve ser continuação de algo porque o tempo é interrupto, acho que já falei isso anteriormente. Mas é que preciso cativar os céticos. Desculpem os demais. Pra eles só funcionam assim, nunca ouve um Deus, só uma energia, ou melhor o vazio que em algum momento também descobri que não era mais vazio e que na não presença de algo existia um não-presente. E então no caos onde só as coisas inexistentes existiam alguma coisa procriou-se, o nada fundiu-se ao nada parar formar algo invisível que foi crescendo, crescendo e crescendo até se tornar um átomo. Em algum lugar por ai nasceu o universo ou continuou o sendo. O nada satisfeito com sua cria procriou-se infinitamente, mas para cada átomo ele viu que era necessário procriar-se um nada para garantir sua espécie, enquanto isso o tempo assistia a tudo com muita paciência e nada produzia porque era eterno e não tinha necessidade de herdeiros. A princípio os átomos eram muito rústicos e talhados a nada, mas evolutivamente eles também se viraram.

De repente os átomos entenderam a energia e dela se aproveitaram para se reproduzirem em larga escala, o nada insatisfeito com os avanços do átomo articulou-se e decretou guerra a todas as coisas existentes. O tempo não querendo envolver-se em questões políticas absteve-se. Infelizmente não temos registros dessa história por completa, mas sabe-se apenas que foi dado o fim da guerra devido a uma infinita explosão que até então jamais se reproduziu.

Pela sua inconsistência o nada foi derrotado e como punição lhe restou a eternidade, o que não agradou ao tempo que como expectador não esperava sofrer com tal guerra e para vingar-se dos átomos tornou-os efêmeros e mortais. Então percebendo-se de sua nova condição por questão de sobrevivência os átomos reproduziram-se de maneira incalculável e assim nasceu nossa galáxia. O tempo insatisfeito com a confusão fez desperceber-se até que a poeira baixasse.

Com o tempo e o constante crescimento populacional os átomos começaram a se espalhar pela galáxia e se adaptarem às novas condições. Com isso nasceram atomozinhos mais adaptáveis, mas devido as condições climáticas hostis esses novos atomozinhos tiveram que migrar novamente para a o lugar de origem de seus pais. Devido ao orgulho ferido os antigos átomos recusavam-se a receber os novos átomos e esse conflito se manteve por milhares de anos. Até que um dia um átomo conservador apaixonou-se por um átomo vindo do lado revolucionário da fronteira, com medo de repreensões por ambos ao lados resolveram esconder-se em um planetinha feito de rochas e mais rochas que era feito de um antigo cemitério de átomos e onde acreditaram que ninguém os encontraria. E como milagre, num lugar tão inesperado tiveram uma filha. E que de tão estranha tornava-se bela. E por isso a ela nunca deram nome. Mas vamos chamá-la de água.

O tempo encantado apadrinhou-a e como presente fez-se funcionar mais uma vez e de maneira que só as coisas existentes o pudessem notar, pois ainda está enfurecido com o nada.

O nada enciumado, fez como vingança revelar a todos os outros átomos sobre o surgimento da água e a traição de seus pais. Mas sem cérebro o nada não pôde prever o que viria a acontecer. Afinal muitos outros casais de átomos haviam se apaixonado e enamoravam-se escondidos e ao saberem da novidade mudaram-se todos para o antigo cemitério de átomos. E lá fizeram a vida nascer. Foi o nascimento do nascimento.

E do interminável incesto de átomos surgiu o homem, que então botou em questão toda a sua existência do nada e do tempo. E de como do nada nada surgiu até a invenção do homem pelos caminhos do tempo. E um pouco além alguns desse homens mal intencionados inventaram deus como capital que se abastecia em cima da dúvida e do medo pelo nada e de todo esse caos metafísico e de processos sociomicroquimicos que os átomos travaram para que nós não nos sentíssemos tão perdidos no processo todo. Com todo respeito aos fieis, mas nas mãos do homem deus nasceu e pelas mãos do mesmo padeceu nas linhas e línguas da ciência e da filosofia.

Satisfeitos os céticos ou não agora volto ao meu relato.

Do nada surgi e aqui vos falo!

Um comentário:

Danielly Teles disse...

Adorei,rs " Do nada surgi e aqui vos falo."

Muito bom.