18 de jan. de 2011

Carta para Barbosa.

Caro Barbosa.

Venho por meio desta, pedir-lhe a permissão de falar como à um amigo intimo. E por aqui já me abuso da pouca intimidade que tenho. Não sei se recordas de mim, estive hospedado alguns dias na casa de meu amigo Osvaldo. E do seu casarão pude ver os estragos que a ultima grande cheia do Paraitinga causou a vossa belíssima cidade. Andei sobre as antigas pedras da cidade e o sinal da cruz fiz sobre o peito por todas as vezes que passei pelos escombros da Igreja das Mercedes. Que aliás, aproveito a oportunidade para saber se houve progresso em sua reconstrução.

Primeiramente os motivos pelo qual escrevo são dois, mas talvez ao longo dessa carta expressem-se mais, e se for o caso desconsidere e desde já me perdoe pela minha “xeretice” ou pela minha acidez. E sem rodeios irei direto ao assunto. Mais uma vez aproxima-se o carnaval e por amor à tua cidade e um pouco de desgosto não irei festejar com vocês, Osvaldo ficará chateado, porém me explicando devidamente ele compreenderá.

De todo jeito, assim que essas festividades passarem providenciarei de dar um pulo por ai. E se não for possível prometo que na festa do Saci eu apareço. Estive até tentando compor uma marchinha em homenagem àquela Luiziense que por ai me enrosquei em uma das ladeiras da cidade, exatamente naquela de pedras atrás do posto policial e da igreja Matriz. Porém compor nunca foi meu forte carinhosamente deixo essa função para ti. Não me lembro do nome de vossa conterrânea que me proporcionou uma noite inesquecível, mas cada pedra da cidade mantêm-se em minha fraca memória. Ah, e antes que eu me esqueça mande um beijo para Pati e lhe diga que levarei um camarão daqueles para encoxarmos.

Desvie-me demais novamente, é que as saudades são tantas que por mim já estaria contemplando a ilustre estatua de Emilia e Monteiro Lobato à caminho daí. E assim que chegasse ao casarão mal me acomodaria e já desceria as ladeiras de São Luis ao teu encontro para entornamos uma ou até duas garrafas de mato dentro enquanto colocamos a prosa em dia. Ou melhor, iria direto para tua casa que fica antes da entrada do centro da cidade.

O primeiro motivo que me fez escrever foi que nas vésperas de carnaval apoderou-se de mim um ódio imenso, este incitado ao ver turbas de gente instigadas para passar mais um carnaval por ai e simplesmente tratando a cidade como uma zona de orgia descartável, como se fosse um preservativo. Todos eufóricos confabulando sobre a volta de São Luis como se a mesma simplesmente tivesse morrido após a o dilúvio. Sei as adversidades que todos, inclusive você passaram nesse período difícil, como também sei que nem metade dessa multidão alucinada estendeu as mãos a vocês quando mais precisaram. Mas mais um ano se passou e lá está São Luis, pronta para gozarmos em sua cara.

Caro amigo, me desculpe não sou nenhum extremista como Osvaldo poderá te confirmar, mas tal indiferença me deixa completamente incomodado. Sei também que o turismo ai é uma das coisas que mais gera benefícios à cidade. Portanto que vão todos dar dinheiro a São Luis, mas gostaria de deixar claro o meu amor por esta cidade e seu povo e cultura, que a mim tão acolhedores foram. E por esse motivo e por questões profissionais não pularei o carnaval junto a vocês.

O segundo motivo é como viu retratar-me antecipadamente sobre minha ausência no carnaval que está por vir. Mande um beijo àquela encantadora cantora que juntou-se a nós em frente ao coreto e conosco encheu a cara até o amanhecer, um beijo para tua pequena e para ti. Não esqueças de guardar aquele cd que me prometestes e nem tão pouco de repassar meu beijo à Pati.

Ps: por favor não comente com Osvaldo sobre a minha não ida.

Terça-Feira, 18 de Janeiro de 2011.

Um comentário:

Danielly Teles disse...

Bem ácido mesmo.