E de repente a esquecida chama viva do desejo mórbido, ressurge e esculpe uma náusea agonizante da imagem da carne se rasgando ao contato do cotidiano punhal, que ouriça os pêlos por toda a pele flácida e em eterna decomposição que transmuta-se em tecido novo e já à caminho da morte inevitável.
E pelo pouco tempo de vida enrijece-se em defesa do corpo pecador e desejoso pela eternidade do esquecimento. E como defesa expurga lágrimas de redenção para limpar o corpo inquieto e calmo, as mão tremem-se por medo de si próprias e as lembranças de um simulado futuro brotam com força mais natural do que as fagulhas do sol.
E o sêmen mais puro dos olhos acalantam as bochechas eufóricas que tentam fugir dos dentes furiosos que a mordem por dentro como uma chaga, é o colapso total do corpo. Todo ele contra si mesmo.
Que está imóvel e transcendente refletido sobre a faca no chão em meio aos joelhos ossudos e concretos que aos poucos perdem sua rigidez, enquanto o sangue flui, agora sobre a cerâmica milimetricamente deformada e enrijeci-se ao contato com a vitalidade do ar e suas invisíveis partículas de vida. É a fusão estranha e imperdoável da vida perdendo-se nas entranhas do mundo, e o corpo choca-se contra a frígida imagem da morte, que lhe gela membro por membro, como se a friagem do chão dominasse o vida já entregue ao infinito.
E o instante congela-se tornando-se inacabável ao colapso dos olhos que tremem o mundo e gota por gota choram a morte das coisas, as paredes contraem-se e desabam aos poucos numa escuridão tranqüila e silenciosa.
E no peito quase vazio a imensidão cresce-se aos poucos como um verme que alimenta-se da vida e num estranho e frígido coração que converte-se em luz e nada, até que descanse para ver evaporar-se a alma no existente vazio do nada.
Fundindo-se com a essência do ar e transmutando-se em vida morta e rarefeita como se nascesse-se para a natureza deixando apenas o seu antigo casulo sobre o chão que já deixou de existir!
3 comentários:
anonimo: cortou a mão cozinhando!
hauihaihaui boa
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