Eu vejo os filhos rebeldes da burguesia,
hipócritas com seus discursos humanitários
entre mesas de bares de vaidade e luxuria,
enquanto crianças esfomeadas e sem rosto transcendem
aos pés da cidade de mármore.
Buscando a essência de deus
respirando a loucura em sacos de pão,
e de volta a realidade correm pelas ruas
sempre atrás de um trocado ou qualquer trago,
para novamente conhecerem o mundo real.
Com a inocência roubada, mas sem a malícia
desse delito afugentam-se na solidez da ilusão.
E os intelectuais com suas lunetas de aros grossos
encontram a solução do mundo,
o segredo para a paz universal.
Que no final se aprisiona nas entranhas de livros entre
paredes de um templo de masturbação intelectual.
E os preconceitos com novas máscaras,
mais flexíveis, produtos de nova tecnologia
espalham-se com brutalidade,
mesclando-se aos olhos e bochechas
pacificamente inquietos
de jovens sem identidade ,
herdeiros de uma repreensão incompreensível,
produtos de sub-empregos marginalizados
que são sua única maneira de viver.
Ferramentas de ludibriosa honra de civilidade
e uma enganosa moral de justiça e direitos,
numa sociedade pútrida
e humanamente imoral,
onde a fera modernizada
fragmentou as possibilidades
de igualdade verdadeiras em pó.
Criminalizando nossa essência animal,
de amor e ódio
de sangue,carne e desejo.
...
...
Gerando a solidão que envolve os corações
e
pari a estranha acidez do tédio,
a mais estranha e sutil arma moderna,
que nos fere sem força alguma,
e pesa apenas pela expansão do tempo
que volta a sua essência bruta e serena,
incomoda e pequena
maior que o caramurão!
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