5 de fev. de 2011

Poema censurado.

Eu vejo os filhos rebeldes da burguesia,

hipócritas com seus discursos humanitários

entre mesas de bares de vaidade e luxuria,

enquanto crianças esfomeadas e sem rosto transcendem

aos pés da cidade de mármore.

Buscando a essência de deus

respirando a loucura em sacos de pão,

e de volta a realidade correm pelas ruas

sempre atrás de um trocado ou qualquer trago,

para novamente conhecerem o mundo real.

Com a inocência roubada, mas sem a malícia

desse delito afugentam-se na solidez da ilusão.

E os intelectuais com suas lunetas de aros grossos

encontram a solução do mundo,

o segredo para a paz universal.

Que no final se aprisiona nas entranhas de livros entre

paredes de um templo de masturbação intelectual.

E os preconceitos com novas máscaras,

mais flexíveis, produtos de nova tecnologia

espalham-se com brutalidade,

mesclando-se aos olhos e bochechas

pacificamente inquietos

de jovens sem identidade ,

herdeiros de uma repreensão incompreensível,

produtos de sub-empregos marginalizados

que são sua única maneira de viver.

Ferramentas de ludibriosa honra de civilidade

e uma enganosa moral de justiça e direitos,

numa sociedade pútrida

e humanamente imoral,

onde a fera modernizada

fragmentou as possibilidades

de igualdade verdadeiras em pó.

Criminalizando nossa essência animal,

de amor e ódio

de sangue,carne e desejo.

...

...

Gerando a solidão que envolve os corações

e

pari a estranha acidez do tédio,

a mais estranha e sutil arma moderna,

que nos fere sem força alguma,

e pesa apenas pela expansão do tempo

que volta a sua essência bruta e serena,

incomoda e pequena

maior que o caramurão!

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